Tinha gente preocupada, mas eu estava tranqüila. Pensava que o máximo que poderia acontecer é não chegarmos ao ponto do acampamento. Aí teríamos que montar as barracas em outro ponto. A chuva apertou e a caminhada também. Mais adiante eu senti na pele a verdade sobre a “aquela” máxima: Quando as coisas estão muito ruins elas podem ficar ainda piores (conhece?). Com a escuridão e sem muita alternativa tivemos que atravessar um banhado cheinho de água e barro.
Enquanto eu caminhava com dificuldade dentro desse tal banhado ficava me perguntava quantos bichos estranhos e nojentos poderiam existir ali. O mais incrível é que eu não estava preocupada com tudo aquilo. Cheguei à conclusão que era devido ao cansaço.
No meio dessa filosofia toda eu também enxergava vegetações bem esquisitas e evitava pisá-las. Pareciam formigueiros boiando na água. Foi quando de repente um dos nossos instrutores passou como uma ventania por nós e tomou a frente do grupo. Quando isso acontece pode ter certeza que há problemas.
Descubro, então, que o instrutor estava tomando o comando por causa das tais vegetações esquisitas. Eram na verdade turfeiras, ótimas vegetações para afundar pernas e o que mais inventasse de passar por cima delas. Uma espécie de areia movediça.
Andamos um tempão dentro do tal banhado. E eu tentava me concentrar para não deixar as botas lá dentro. De vez em quando também ria sozinha lembrando que horas antes havia atravessado um rio de pés descalços porque não queria molhar as meias e as botas. Santa ingenuidade...