sexta-feira, 13 de maio de 2011

Rumo ao Cânion Fortaleza

Ao deixar o Churriado machuquei um dos meus joelhos. Parecia que não conseguiria caminhar, mas pedi um pouco mais de força ao nosso amigo aquele lá de cima. Nosso grupo precisava caminhar mais rápido porque pegaríamos a noite novamente.

Tentei esconder o que sentia para não preocupar o pessoal, mas todos estavam muito atentos. Com a torção tive algumas regalias, como remédio, um bastão de caminhada, uma lanterna de cabeça e paparicos. A melhor parte é que o Catarina, o colega de Praia Grande (SC), retirou várias coisas da minha mochila para aliviar o peso.

Mais adiante o grupo achou por bem acionar o condutor Dedé, que também era nosso colega no curso. Estávamos bem atrasados e a missão dele foi nos tirar o mais rápido possível do local. Eu estava tão cansada e sentindo tanta dor, que durante o comando do Dedé fiz várias ofertas a ele. Eu queria ficar no caminho e ele ir me buscar no dia seguinte. Ele não quis!!!

Já era noite e estávamos andando à beira dos paredões. Numa das paradas de descanso deitei e por alguns segundos fiquei adormecida. Escutava ao longe as conversas e os sons da natureza. Nessa hora eu já estava com o outro joelho machucado e também com raiva do mundo. Dor é uma coisa que me irrita muito.

O colega Augusto me emprestou uma joelheira para facilitar a minha caminhada, mas eu queria  mesmo é ter ficado naquele lugar, deitada, sem banho e sem comida. Só queria dormir.

Como o Dedé não aceitou as minhas propostas tive que levantar, colocar novamente a mochila nas costas e continuar o que eu chamava no momento de martírio. Aquela caminhada parecia não ter fim.